quarta-feira, 20 de dezembro de 2006
COISAS DE ANGOLA (4)
A expressão Kinguila, em Kimbundo retrata “alguém que está a espera de algo”. Mas no caso que interessa identifica de forma genérica os vendedores de rua engajados no comércio do dólar. O surgimento das pessoas que exercem este trabalho iniciou em Luanda, a partir do final dos anos 80, quando começaram a proliferar pelas esquinas da cidade grupos de mulheres e Homens envolvidos na troca de Kwanzas por dólares e vice – versa.
Apesar de não pagarem impostos ao Estado, estas vendedoras de “perna ao céu”, escreve o Semanário AGORA, são unânimes em afirmar que se as autoridades regulamentassem legalmente esta actividade e criassem as condições para que elas sejam protegidas dos marginais, contribuíram com uma taxa, desde que ela não fosse muito elevada.
“O Governo deve encarar a nossa actividade como as outras, porque se o maior é pagar imposto estamos dispostas a fazê-lo, mas precisamos que nos protejam contra os marginais, devido ao facto de sermos constantemente assaltadas nos nossos locais de venda”, disse Madalena Guimarães, que actua nos arredores do mercado dos congoleses. “Há até polícias e agentes da fiscalização que aproveitam-se da nossa condição para nos roubarem”, acrescentou.
Ao contrário das Mulheres os Homens que exercem esta actividade, vulgo doleiros, são os que menos sofrem com as extorsões perpetradas pelos agentes policiais e marginais. “Nós criamos todos os mecanismos possíveis para fugirmos dos indivíduos que se aproveitam da nossa condição para facturarem. A que mais tem resultado é de estarmos mais de três pessoas no mesmo local, e todos a cuidarem de todos para que deixemos de ser vítimas”, explicou o jovem Lopes da Silva, de 22 anos de idade, que compra e vende dólares no mercado de São Paulo.
“Outro método que usamos é o de aluguer de jovens que passam como nossos seguranças, eles, protegem-nos de maneira discreta durante o dia, e nós pagamos-lhes dois mil kwanzas, independentemente da quantidade de dinheiro que trocarmos.
De acordo com a interlocutora “já houve alturas em que ganhávamos muito dinheiro com a venda de dólares, mas actualmente há dias em que não conseguimos ganhar mais de Dez dólares. Em cada nota de 100 que vendemos, ganhamos apenas 200 kwanzas e existem clientes que por vezes, só aceitam pagar 100 Kz adicionais o que diminui a nossa margem de lucro”, disse uma kinguila.
Cada uma das pessoas que se dedica a este actividade é possuidora de uma estória triste ou alegre. Joana Silva, de 26 anos, diz que de tanto sofrer nas mãos dos batuqueiros, como se diz na gíria de Luanda, teve de parar de exercer a actividade e enveredar para o negócio de venda de roupas e calçados provenientes do Brasil.
As kinguilas, de um tempo a esta parte, passaram a ser consideradas “Bancos de Rua”, por concederem empréstimos com maior facilidade aos seus clientes, cobrando uma taxa de juros que varia em função da relação de confiança existente entre ambas as partes e da quantia em causa.
Para o economista Carlos Lopes, esta actividade é considerada ilegal e a legislação vigente no país tem restringido o seu exercício, já que esta é exclusivamente da responsabilidade dos Bancos comerciais e das casas de câmbio.
Explicou ainda que, o aparecimento das kinguilas é associado a escassez de moeda estrangeira resultante das restrições e condicionamentos impostos pelo regime centralizado de alocação de divisas, bem como as possibilidades daí resultantes de obtenção de lucros significativos por via de arbitragem efectuada entre os valores despendidos na aquisição da moeda estrangeira através dos canais oficiais e o valor real da moeda. O De realçar que o economista publicou o relatório de uma pesquisa feita em 2004, intitulada “Candongueiros, kinguilas, roboteiros e zungueiros, uma digressão pela economia informal de Luanda.
terça-feira, 19 de dezembro de 2006
Um presente para...
segunda-feira, 18 de dezembro de 2006
Às portas do Natal…
São imagens de um excelente momento de confraternização à mesa do restaurante Conventual D. Luís, onde nos foi servido um agradável repasto.
Não éramos muitos, mas sabemos que houve ausências por incompatibilidade com outros compromissos e afazeres profissionais. Na próxima, certamente, não faltarão.
Pois é, tratou-se de um almoço para juntar, em época natalícia, os que já são habituais colaboradores do nosso blog. Uma espécie de ensaio para outros que se seguirão, o primeiro dos quais ocorrerá muito provavelmente em Janeiro, ocasião ainda para debatermos formas de revitalização do nosso blog como espaço de liberdade e de responsabilidade aberto a todos.
O mais interessante foi termos reencontrado colegas que há muitos anos não víamos. Desde logo o reencontro animado entre o Teixeira da Mota e o sempre jovem e seu ex-colaborador directo Rui Olmo. Depois a presença do Luís Rodrigues, sobrinho da Ilda que nem todos conhecíamos (como era o meu caso e da minha mulher) acompanhado da esposa, a Natália. A Ilda, sem surpresa, foi animando o almoço com mais umas histórias alusivas à sua vivência no BCA, ao mesmo tempo que o nosso realizador e operador de câmara, Borges Lopes, que esteve acompanhado pela Alice, sua esposa, mostrava inusitada canseira na recolha das imagens que aqui nos traz, com uma excelente escolha para sonorização. E como não somos monopolistas nem tememos a concorrência (!) tivemos também a presença do Luís Simões (marido da Ilda) que como sabemos, trabalhou no BCCI; um bom compincha, o Luís Simões.
Quanto à jovem que aparece nas imagens…quem havia de ser? A Luísa, de quem pelo menos eu e a Ana (mas sabemos que muitos outros amigos) gostámos muito, e que quis conhecer os “nossos” amigos acabando por nos confessar alguma surpresa pelo facto de, passados tantos anos, cultivarmos ainda esta nossa amizade.
E foi também o momento de conhecermos o filho da Ilda e sua mulher Rute, que nos serviram, para além de simpatia, um óptimo cozido à portuguesa.
Enfim, vale mais uma imagem do que mil palavras e digamos que “o filme” fala por si. Boa disposição e sã camaradagem foram coisas que não faltaram. Relembrámos momentos passados. Recordámos nomes de outros colegas que certamente se hão-de juntar a nós nesta nossa tarefa, sempre inacabada dos reencontros.
Estamos já na Época Natalícia; aproxima-se o final de mais um ano. A todos os colegas e amigos, deixamos os nossos Votos de Natal Feliz na companhia dos que mais amam, e que 2007 seja melhor que 2006.
Um abraço
Teixeirinha
domingo, 17 de dezembro de 2006
Luis Rodrigues c/Vera Mónica

Esta foto está a ser posta a pedido do Luis Rodrigues, com a Vera Mónica (Filha do Alvaro), ao colo. Se ela ler este artigo, o Luis e restante Família desejam-lhe BOAS-FESTAS
sábado, 16 de dezembro de 2006
Mais um aniversário...
Desta vez é o meu amigo José Maria Pereira do Vale
Parabéns Zé Vale !
sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
Informática no BCA - Um Centro de Inovação
Recorremos ao ano de 1968, em que iniciámos a actividade informática, com um computador de pequeno porte, o IBM 1401, (imagem à esquerda - no Centro BCA) com 2 ou 4K de memória (?!), computador dito da segunda geração e cujo suporte de entrada e saída era o cartão perfurado.
Dois anos após, as necessidades de crescimento levaram à mudança para um IBM 360/25, este já chamado da terceira geração. O termo “360” foi escolhido, pela IBM, para enfatizar a natureza versátil do computador, que cobria um raio de 360º nas aplicações de gestão. De médio porte, com circuitos integrados (imagem à direita) e multi-programação, com periféricos magnéticos e com leitor de fita perfurada. Foi, então, a escolha acertada, como viria a revelar-se no futuro, e para a qual eu me orgulho de ter contribuído.
Integrámos praticamente todas as dependências e agências na Informática central, através da fita de papel perfurada. Aqui, há que relevar a grande colaboração e participação das pessoas que programavam e instalavam as máquinas de lançamentos, ( NCR32 e Burroughs imagem à esquerda), Lembro-me em particular, do José Rodrigues Martins.Desenvolvemos trabalho também na óptica de servir o cliente, nomeadamente com as demonstrações das contas C/Caucionadas e Ab/s/Letras, com apresentação mensal, em papel, do cálculos dos referidos números (positivos e negativos) e juros.
Informatizámos quase tudo o que era passível de informatização, com o equipamento disponível. Depois, apareciam aquelas situações pontuais, que nos davam grande “gozo”, como por exemplo, o processamento informático do nosso Rallye.
À semelhança de Babbage que tinha invenções mas que não tinha máquinas em que as pudesse por em prática (The Babbage Difference Engine- imagem à direita), ousámos meter ombros a uma tarefa ciclópica para o tempo.

Podemos afirmar, que, ao longo do tempo de existência da Informática, tivemos períodos em que ultrapassámos de longe, ao tempo e comparativamente, a “casa mãe”, ou seja o próprio BPA, graças à boa equipa que éramos, coesa, voltada para a inovação, sempre na linha da frente. Contribuiu para isso, também, a visão que a direcção e administração do BCA tinha sobre o futuro, através do apetrechamento do Serviço com equipamentos necessários às realidades, mas sobretudo da valorização do seu pessoal, pela frequência de cursos de formação e de estágios em Portugal (BPA) e na África do Sul (Barclays Bank e IBM)., dos quais eu, particularmente, beneficiei.
A este período áureo, de grande expansão, sucedeu o declínio e a estagnação. Independentemente da sequência dos acontecimentos de 1974, veio ao de cima a tal máxima: “ O óptimo é inimigo do bom”! Alterou-se o que não se devia… e foi o fim. Esta fase, não me deixa saudades.
Resta-me a lembrança dos velhos tempos, de integrar uma óptima equipa, dos amigos, da possibilidade de pôr em prática a criatividade, da profissionalização e da experiência adquirida. Com este “know-how”, e, já agora, enriquecido também pela cultura BCA, adquirida nesta passagem por Angola, não foi difícil, de regresso a Portugal, de imediato, dar aulas de informática e entrar, por anúncio, numa grande empresa multinacional, na qual permaneci durante 25 anos, e de onde me reformei recentemente como responsável pela área da Informática.
Das pessoas, recordo algumas, que nunca mais voltei a ver, com bastante saudade. O Vieira, do gabinete de desenho; o Pereira da Silva, técnico dos elevadores e da electrónica das TV’s; pessoal das Relações Públicas; alguns dos envolvidos no Grupo Desportivo (onde cheguei a ser dirigente) e nas Festas de Natal; o pessoal do Rallye; a equipa de ténis de mesa; a equipa do hóquei, em particular o Cruzeiro, (ainda meu colega em Lisboa, antes de ir para Angola); em resumo, todos os ex-BCA’s em geral, mas sobretudo e em particular a minha equipa da informática.
Bem Hajam Todos
BL
quinta-feira, 14 de dezembro de 2006
Estudante-trabalhador? Ou trabalhador-estudante? (1)
Lembram-se do Vitorino Rodrigues - Relações Públicas
Olá Borges Lopes
Olá Vitorino:Lembro-me muito bem de ti! Estavas nas Relações Públicas, junto ao Teixeira da Mota.Lembro-me que tinhas um carro de marca inglesa, o que era raro ?! Ou estarei enganado. Os anos não perdoam !Um abraço,Borges Lopes
----- Original Message -----From: Vitorino RodriguesSent: Sunday, December 10, 2006 10:57 PMSubject: blog
Olá Borges LopesSou o Vitorino Rodrigues (Relações Públicas) e o Necas (Ex guarda redes do hóquei) disse-me hoje que havia o blog dos Ex-BCA.
Aqui estou a dar-te notícias. Nos últimos 5 anos tenho estado em Angola e numa das viagens encontrei o Rodrigues da Silva. Também estive várias vezes com o Telmo (irmão do Xilocas) em noites de Kizomba e com o Trindade e Ana Paz. Depois darei mais noticias. vou contactar o Texeira da Mota,Severa,Ilda,etc.
Aquele abraçoVitorino
COISAS DE ANGOLA (3)
Com a devida autorização do RUI LAUREANO SILVA, empregado da Blackwood Dodge, coloco aqui este "post", que toca o BCA e seus ex-colaboradores.
Esta carta foi colocada pelo Rui, no fio da Sanzalangola, BANCO COMERCIAL DE ANGOLA- EX-EMPREGADOS.
Este colega vive em Montreal.
"Olá Amigos.
Não trabalhei no BCA. Apenas passo por aqui para contar uma uma quase anedota que se passou comigo nesse banco e que mostra a seriedade e confiança das gentes naquele tempo.
Estávamos nos anos 59. Tinha acabado (?) os estudos e estava à espera de ir para a tropa. Para não andar a vadiar o meu pai, por intermédio do chefe da contabilidade, seu amigo de longa data, empregou-me na BLACKWOOD DODGE.
Meu primeiro serviço foi aprender a lidar com papeladas de bancos.
Um dia, o Esteves, chefe da contabilidade chamou-me e entregou-me um envelope com 400 contos (disse ele) para eu ir depositar ao BCA. Para mim não era a primeira vez que ia depositar, quer no BCA, quer no Banco de Angola. Enfim, pego a motorizada da casa e lá vou eu.
Chamam o meu número, dou a placa, o talão de depósito e o dinheiro que o funcionário começa logo a contar, com uma destreza que sempre me impressionou.
Chegado ao fim da contagem o caixa diz-me que faltam 20$00. Fiquei um pouco desconcertado, pois era a primeira vez que acontecia. Como era pouco experiente, fiquei a olhar para o caixa que me perguntou o que queria fazer, levar de volta o dinheiro todo, ou pôr 20$ do meu bolso. Procurei nos bolsos mas não chegava. Assim disse ao caixa:
- Olhe eu trabalho para a Blackwood. Nao é longe. Guarde-me aqui o dinheiro que vou buscar os 20$ e volto já.
Isto no sentido de evitar ir novamente para a bicha. Entretanto era quase meio dia.
Cheguei ao escritório e disse:
- Sr. Esteves, faltavam 20$.
- Bom, devo-me ter enganado a contar. Nao faz mal vai-se lá a tarde. Dê-me o dinheiro.
- Eu deixei lá o dinheiro com o caixa.
- E onde está o recibo?
- Não tenho, ele guarda-me o dinheiro até eu levar os 20$.
- O quê?... então você deixa 400 contos com alguém que não conhece? E agora quando lá for se ele disser que não foi com ele ou que não se lembra de si, o que é que você vai fazer. Já viu no buraco em que nos meteu a todos. Sabe quanto são 400 contos? etc, etc. Grande sermão e eu sem poder dizer nada em minha defesa.
- Vá lá depressa buscar o dinheiro, se ele ainda lá estiver. Mas vá a rezar para que não haja problemas.
Só então realizei a o incidente. Eu não conhecia o caixa de lado nenhum, nem me lembrava de o ter visto antes no banco. Lá fui eu na braza, rezando pelo caminho.
Quando lá cheguei vi o caixa, passei pela fila da caixa e com o coração a sair-me pela boca mas tentando mostrar-me calmo, disse para o caixa.
- Olha sabe, eu venho cá à tarde. Dê-me o dinheiro porque vamos fazer um depósito maior.
E o caixa, com a maior das naturalidades, baixou-se e entregou-me aquela pequena fortuna, como se se tratasse de uma carta ou outro qualquer papel...Calmamente saí do banco e só cá fora tive coragem para abrir o envelope comercial e, quando vi lá o dinheiro apeteceu-me dar um berro de contentamento.
Nunca mais esqueci este incidente. Chegado ao escritório, ainda não tinha aberto a boca que o chefe me perguntava:
-TAVA LÁ O DINHEIRO ???
E eu tentando parecer natural:
- Claro que estava. Eu conheço o homem...
- ISSO NÃO SE FAZ NEM COM CONHECIDOS ...
- Naquele tempo havia ainda gente séria. Hoje ainda deve haver também, não sei. Mas eu continuo a confiar nas pessoas..."
A comitiva hoquista do BCA em Lisboa para os Nacionais de 1972

terça-feira, 12 de dezembro de 2006
domingo, 10 de dezembro de 2006
RALLYE BCA 1971 e 1972
Rallye do XVII Aniversário do BCA - 1974
AUTOMÓVEL E TOURING CLUBE DE ANGOLA
ao Grupo Desportivo e Cultural do
Banco Comercial de Angola
para a realização do Rallye
.Mais um ex-BCA...muito especial !
sexta-feira, 8 de dezembro de 2006
Chilócas - Fotos do meu baú
O meu cartão de sócio do Grupo Desportivo
Parte da equipa de Basquete com um troféu ganho:Em pé: Chilócas, Helder Baeta, Patrício e Zézé Teixeira
Em baixo: Fernando Sentieiro e Baldino.

Equipa de Voleibol:
De pé: Guedes Ferreira (Director), Zézé Teixeira, Chilócas, Branco,
Jerónimo Capon, Massagista (não me lembro do nome)
Em baixo: Teixeira da Mota (Jogador/Treinador), Zé Freitas (Capitão),
Anapaz, Zé Vale e Carlos Pereira
quinta-feira, 7 de dezembro de 2006
Mais uma mini-história do quotidiano Luandense “ Resposta ingénua a pergunta… ainda mais ingénua”
As flores de papelEm determinada altura, em Luanda, foi moda a utilização de pequenas flores de papel colorido na decoração interior das casas.
A nossa, obviamente, não foi excepção. Também lá se fizeram algumas composições decorativas com as referidas flores de papel, geralmente adquiridas nas agências funerárias (?!).
Minha mulher, um dia, dirigiu-se a uma agência para comprar as ditas flores.
O empregado apresentou-lhe uma grande variedade, tanto em cores como em formatos.
Foi então que surgiu a pergunta ingénua “ Porque é que os angolanos decoram com tantas flores, e de cores tão garridas, os caixões dos seus mortos?!.
“ É para lhes dar mais vida, minha senhora”! Foi a resposta pronta e convicta do empregado.
Abraço a Todos
BL
COISAS DE ANGOLA (2)
CIDADÃO SUICIDA-SE POR CAUSA DA MULHER TER DADO À LUZ, UM "BÉBÉ CHINÊS".
FOI FORÇADO A ACEITAR E A CONTRAIR MATRIMÓNIO.
Luanda - A namorada estava grávida e a família da mesma exigiu que os mesmos casassem. Mas passados 9 meses a quando do parto ficou a saber que não era o pai da criança, mas sim de um cidadão Chinês pelas características que o bebé apresenta, cor branca, cabelos loiros e olhos fundos.
Pedro Eduardo, 26 anos, suicidou-se com uma corda no pescoço e o cadáver foi encontrado no quarto onde dormia. O facto ocorreu no bairro da kalemba II, no município do Kilamba Kiaxi.
Segundo uma fonte familiar, depois de informado que não era o pai da criança alertou que podia se suicidar, mas a família tentou acalmar mas, sem sucesso.
De acordo ainda com a mesma fonte, depois de engravidar a jovem, Pedro negou perante a família da mesma que era o pai. Apesar da recusa, foi forçado a aceitar e contrair matrimónio.
Depois do parto realizado no Hospital geral de Luanda, a jovem mãe foi levada para a casa dos pais para que o segredo não fosse desvendado naquele dia. A sogra informou-o que ela não tinha recebido ainda alta, disse a fonte.
Na ânsia de ver o rosto do menino, Pedrito decidiu ir ao referido hospital mas, a caminho encontrou-se com a sua irmã mais velha que informou do sucedido. Depois de contactar a realidade, decidiu suicidar-se pelo que foi persuadido a mudar de ideia, mas quando tudo parecia ter sido ultrapassado num desses dias, fechou a porta do quarto a sete chaves e pendurou-se.
O Cadáver foi encontrado depois dos familiares e vizinhos arrombarem a porta do referido quarto onde dormia.
De recordar que , face a pressão, Pedro vendeu uma parcela de terra que possuía para honrar o compromisso que assumira.
Caixa de Diálogo (1)
Abro esta “Caixa de Diálogo”, em formato digital, usando livremente o espaço do nosso blogue (definitivamente, passo a aportuguesar a palavra).“Caixa de diálogo” passará a ser o designativo das minhas intervenções escritas mais reflexivas, ao sabor da inspiração, da convicção e da oportunidade. Sem outra preocupação senão a de fazer pontes entre o passado e o presente, alinhando factos, pessoas e valores que possam, a um tempo, reavivar a nossa juventude física e projectar no futuro conceitos e modos de estar distintos.
Foi esta cultura um verdadeiro axioma de vida de toda a actuação do BCA, desde a sua fundação (em 1958) e que teve, como pilar genético, o Banco Português do Atlântico, verdadeiro alfobre de gerações de bancários, dos quais alguns – muito poucos – foram destacados para Angola, munidos das suas convicções e padrões de comportamento.
E se um “chefe” é – no dizer do escritor Paul Valery – uma pessoa que precisa dos outros” , foram aqueles pioneiros capazes de se rodearem de Colaboradores que rapidamente souberam, já numa dimensão colectiva, intuir um conjunto de regras de funcionamento, de sinais e de símbolos, basilares na sustentação da imagem institucional, até 1975.
Assim nos identificámos naturalmente, uns com os outros e todos com o Banco, porque a cultura nasce do interior das Pessoas – dos chefes aos colaboradores.
Recorde-se a visão do Dr. Manoel Vinhas, principal mentor da obra que o Edifício-Sede representou dez anos mais tarde, ainda hoje verdadeiro ex-libris da cidade de Luanda. Depois, o dinamismo, o envolvimento e a criatividade das Pessoas que foram ocupando sete dos 20 andares que o Edifício comportava. Pessoas que não desdenhavam – antes, promoviam - a osmose do conhecimento, fazendo dos mais novos profissionais assumidos, com competências adquiridas no plasma da actividade diária. Em Luanda e por todo o país, já que o influxo da Cultura BCA não tinha limitações geográficas.
Primeiro banco privado a estabelecer-se em Angola, foi o BCA dinâmico fautor do desenvolvimento económico regional, criador de riqueza e mobilizador de vontades. Podemos, assim, orgulhar-nos da obra feita, que outros quase desfizeram, sem receio das vozes necrófagas de hoje, porque aquela foi transversal a décadas de progresso e deixou marcas na terra vermelha e nos espaços imensos do nosso labor tropical.
Alargámos a nossa presença a Moçambique, a S. Tomé, a Macau e os projectos já iam a caminho de Cabo Verde…A expansão era um produto da cultura BCA, qual mística que, por ser património imaterial, dispensava passaporte.
E foi no âmbito dessa cultura que a integração sócio-profissional ganhou estatuto gradualmente, a par de uma torrente de iniciativas sociais e desportivas, todas elas entusiasmantes, porque emergentes dos valores adquiridos. Os mais jovens e os mais aplicados acabaram por fazer a sua carreira na área comercial ou administrativa, conhecendo previamente todas as secções/serviços do Banco, com uma assistência profissional e social que não tinha paralelo noutras Organizações.
Quantos serviços e produtos lançados no mercado, fazendo crescer o Banco e, com ele, as nossas Terras de adopção! É bom saber que, em 1973, o BCA detinha 45% do crédito total outorgado em Angola. Está escrito.
Chamo, assim, à colação esta singularidade marcante da cultura BCA por uma razão última: o arco da vida não se fechou em 1975, pois foram esses princípios e esses valores que, já em Portugal, nos permitiram refazer a vida, educar os Filhos, abraçar novos projectos. Jamais desistir.
É interessante verificar que, numa avaliação recente feita por um conceituado consultor internacional, os valores culturais que perfilhámos há mais de 30 anos – envolvimento, qualidade, empenho nas causas e orgulho pela Instituição – persistem como referenciais primeiros e importantes factores do progresso económico e do desenvolvimento social.
Falemos agora do presente.
Reconheça-se que tais valores estão hoje em contra-ciclo com os arautos da chamada “globalização” e dos modelos importados, vg. a “flexigurança” que, a serem aplicados no País, conduzirão Portugal para o “núcleo dos países ricos…com gente mais pobre”, na lúcida opinião de um Prémio Nobel da Economia, que recentemente ouvi em Lisboa.
Chegado aqui, remeto-vos para um excerto de um prefácio que escrevi recentemente para um livro s/ Comunicação, editado por um jovem ex-Colaborador: “…a declinação do verbo flexibilizar parece ser uma ladainha colectiva e o pau-santo da virilidade económica das empresas. Esquecendo as Pessoas por onde tudo passa, seja a criatividade, a compreensão dos acontecimentos ou a capacidade de adaptação a novas situações”. E concluía com um grito de alerta: Tudo se faz, senhores pregoeiros da globalização, com as Pessoas !
Deixo aberta a “Caixa de diálogo” aos vossos comentários.
Por mim, continuo a “pensar o futuro”. Aos 67 anos. Sobrepondo a racionalidade dos juízos realistas à euforia irresponsável das pessoas gratuitas ou precipitadas, à embriaguez das grandes e sediças palavras vazias, ao sortilégio demagógico das atitudes ditadas por uma qualquer máquina de marketing, irritadiça à mínima contrariedade.
Julgo ter falado do passado, do presente e do futuro. De nós e do País.
Luís Teixeira da Mota
Fotos do meu baú
Equipa de Futebol da ContabilidadeDe pé: Guedes, Freixiosa, Chilócas, Amorim, Zé Manel e Capon
Em baixo: Marrocos, Valadão, Freitas, Carvalho, Fernandes da Silva e
Marin
Leite Pereira, Roxo, Soeiro, Chilócas e Marrocos.
Alguns destes Amigos já não se encontram entre nós
(Roxo, Soeiro e Marrocos)
quarta-feira, 6 de dezembro de 2006
COISAS DE MOÇAMBIQUE (1)
Mia Couto
Já vimos que, em Moçambique, não é preciso ser rico. O essencial é parecer rico. Entre parecer e ser vai menos que um passo, a diferença entre um tropeço e uma trapaça. No nosso caso, a aparência é que faz a essência. Daí que a empresa comece pela fachada, o empresário de sucesso comece pelo sucesso da sua viatura, a felicidade do casamento se faça pela dimensão da festa. A ocasião, diz-se, é que faz o negócio. E é aqui que entra o cenário dos ricos e candidatos a ricos: a encenação do nosso "jet-set".
O "jet-set" como todos sabem é algo que ninguém sabe o que é. Mas reúne a gente de luxo, a gente vazia que enche de vazio as colunas sociais. O jet-set moçambicano está ainda no início. Aqui seguem umas dicas que, durante o próximo ano, ajudarão qualquer pelintra a candidatar-se a um jet-setista. Haja democracia! As sugestões são gratuitas e estão dispostas na forma de um pequeno manual por desordem alfabética:
Anéis - São imprescindíveis. Fazem parte da montra. O princípio é: quem tem boa aparência é bem aparentado. E quem tem bom parente está a meio caminho para passar dos anéis do senhor à categoria de Senhor dos Anéis O jet-setista nacional deve assemelhar-se a um verdadeiro Saturno, tais os anéis que rodeiam os seus dedos. A ideia é que quem passe nunca confunda o jet-setista com um magaíça*, um pobre, um coitado. Deve-se usar jóias do tipo matacão, ouros e pedras preciosas tão grandes que se poderiam chamar de penedos preciosos. A acompanhar a anelagem deve exibir-se um cordão de ouro, bem visível entre a camisa desabotoada.
Boas maneiras - Não se devem ter. Nem pensar. O bom estilo é agressivo, o arranhão, o grosseiro. Um tipo simpático, de modos afáveis e que se preocupa com os outros? Isso, só uma pessoa que necessita de aprovação da sociedade. O jet-setista nacional não precisa de aprovação de ninguém, já nasceu aprovado. Daí os seus ares de chefe, de gajo mandão, que olha o mundo inteiro com superioridade de patrão. Pára o carro no meio da estrada atrapalhando o trânsito, fura a bicha**, passa à frente, pisa o cidadão anónimo. Onde os outros devem esperar, o jet-setista aproveita para exibir a sua condição de criatura especial. O jet-setista não espera: telefona. E manda. Quando não desmanda.
Cabelo - O nosso jet-setista anda a reboque das modas dos outros. O que vem dos americanos: isso é que é bom. Espreita a MTV e fica deleitado com uns moços cuja única tarefa na vida é fazer de conta que cantam. Os tipos são fantásticos, nesses video-clips: nunca se lhes viu ligação alguma com o trabalho, circulam com viaturas a abarrotar de miúdas descascadas. A vida é fácil para esses meninos. De onde lhes virá o sustento? Pois esses queridos fazem questão em rapar o cabelo à moda militar, para demonstrar a sua agressividade contra um mundo que os excluiu mas que, ao que parece, lhes abriu a porta para uns tantos luxos. E esses andam de cabelo rapado. Por enquanto.
Cerveja - A solidez do nosso matreco vem dos líquidos. O nosso candidato a jet-setista não simplesmente bebe. Ele tem de mostrar que bebe. Parece um reclame publicitário ambulante. Encontramos o nosso matreco de cerveja na mão em casa, na rua, no automóvel, na casa de banho. As obsessões do matreco nacional variam entre o copo e o corpo (os tipos ginasticam-se bem). Vazam copos e enchem os corpos (de musculaças). As garrafas ou latas vazias são deitadas para o meio da rua. Deitar a lata no depósito do lixo é uma coisa demasiado "educadinha". Boa educação é para os pobres. Bons modos são para quem trabalha. Porque a malta da pesada não precisa de maneiras. Precisa de gangs. Respeito? Isso o dinheiro não compra. Antes vale que os outros tenham medo.
Chapéu - É fundamental. Mas o verdadeiro jet-setista não usa chapéu quando todos os outros usam: ao sol. Eis a criatividade do matreco nacional: chapéu ele usa na sombra, no interior das viaturas e sob o tecto das casas. Deve ser um chapéu que dê nas vistas. Muito aconselhável é o chapéu de cowboy, à
Cultura - O jet-setista não lê, não vai ao teatro. A única coisa que ele lê são os rótulos de uíque. A única música que escuta são umas "rapadas e hip-hopadas" que ele generosamente emite da aparelhagem do automóvel para toda a cidade. Os tipos da cultura são, no entender do matreco nacional, uns desgraçados que nunca ficarão ricos. O segredo é o seguinte: o jet-setista nem precisa de estudar. Nem de ter Curriculum Vitae. Para quê? Ele não vai concorrer, os concursos é que vão ter com ele. E para abrir portas basta-lhe o nome. O nome da família, entenda-se.
Carros - O matreco nacional fica maluquinho com viaturas de luxo. É quase uma tara sexual, uma espécie de droga legalmente autorizada. O carro não é para o nosso jet-setista um instrumento, um objecto. É uma divindade, um meio de afirmação. Se pudesse o matreco levava o automóvel para a cama. E, de facto, o sonho mais erótico do nosso jet-setista não é com uma Mercedes. É, com um Mercedes.
Fatos - Têm de ser de Itália. Para não correr o risco do investimento ser em vão, aconselha-se a usar o casaco com os rótulos de fora, não vá a origem da roupa passar despercebida. Um lencinho pode espreitar do bolso, a sugerir que outras coisas podem de lá sair.
Simplicidade - A simplicidade é um pecado mortal para a nossa matrecagem. Sobretudo, se se é filho de gente grande. Nesse caso, deve-se gastar à larga e mostrar que isso de país pobre é para os outros. Porque eles (os meninos de boas famílias) exibem mais ostentação que os filhos dos verdadeiros ricos dos países verdadeiramente ricos. Afinal, ficamos independentes para quê?
Óculos escuros - Essenciais, haja ou não haja claridade. O style - ou em português, o estilo - assim o exige. Devem ser usados em casa, no cinema, enfim, em tudo o que não bate o sol directo. O matreco deve dar a entender que há uma luz especial que lhe vem de dentro da cabeça. Essa a razão do chapéu, mesmo na maior obscuridade.
Telemóvel - Ui, ui, ui! O celular ou telemóvel já faz parte do braço do matreco, é a sua mais superior extremidade inferior. A marca, o modelo, as luzinhas que acendem, os brilhantes, tudo isso conta. Mas importa, sobretudo, que o toque do celular seja audível a mais de
Última sugestão: nunca desligue o telemóvel! O que em outro lugar é uma prova de boa educação pode, em Moçambique, ser interpretado como um sinal de fraqueza. Em Conselho de Ministros, na confissão da Igreja, no funeral do avô: mostre que nada é mais importante que as suas inadiáveis comunicações. Você é que é o centro do universo!
COISAS DE ANGOLA (1)
Coisas de Angola...
(Recebido por email, hoje)
1. Em Luanda agora é assim! As pessoas se produzem todas para ir a um funeral, como se à uma festa de gala se tratasse. Se antes o branco e o preto eram as cores para actos fúnebres, agora, as damas bazam até de vermelho, rosa, amarelo, laranja, quer dizer, só as cores "mais cheguei" para chamar mesmo a atenção.
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2. Na verdade, os óbitos se transformaram em locais predilectos para desenvolver uma paquera, na ausência de locais públicos de lazer que proporcionem encontros, afinal quem não tem cão nem gato, caça com rato. Há quem diga que as damas vão para ver os BOSS´S da família. Ficam de olho bem aberto para marcar qual é o tio que dá mais kumbu. Depois jogam todo seu charme para cima do kota não importando se casado, solteiro ou viúvo, nem respeitam o luto.
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3. Já os homens, parece que são mais discretos; bazam a estes encontros para beber de graça, consentir uma paquera e, claro, pitar (comer) um coxe, afinal, de graça, bar aberto, boca-livre, não faz mal a ninguém. Os óbitos, há muito que deixaram de ser cerimónias nostálgicas em que os parentes e amigos se encontram para consolar quem perdeu um ente. As Mulalas das kotas deram lugar ao desfile de moda e posses. Tas a ver aquela expressão " ché quez da caldo", já ficou ultrapassada. A canjica e o caldo foram superados pelos Mufetes, Muambas, Bolos, Doces diversos, Rissóis, Tortas e Pudins a maneira.
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4. Da Kissangua, coitada, já nem se fala mais, nem nos círculos mais conservadores das famílias, de vez em quando, aparece nas praças e paragens de candongueiro mas, com novo nome para disfarçar: "Sumol em Saco". Nada de coisa de pobres (kissangua) nos óbitos a onda agora é Cuca, Sagres, Castle, Carlsberg, Coca-Cola e associadas, Sumol e até a forasteira Kiss, agora também Blue's, por que as Youk´s sumiram do mapa. Quer dizer, até aquelas cotas que produziam os pitéus dos óbitos naquelas panelas bué gudas (grandes) também estão desempregadas; foram substituídas pela contratação dos serviços de Bufetes e catering.
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5. Óbito na cidade da Kianda é festa grande. Já há quem prefira patar nos kombas (óbitos) do que ir aos casamentos; nos óbitos não olham nas caras nem querem saber se é parente do noivo ou da noiva para te servirem. Só falta mesmo contratar DJ´s para animar o bo... digo o óbito, com músicas da igreja, já que os kuduristas já fazem questão de cantar daquele jeito neh.
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6. Nesses encontros não podia faltar a turma dos BUFUS, aqueles que definem a qualidade dos óbitos, segundo critérios já bem definidos: Adesão de pessoas famosas, número de carros, que inclui os da moda, último grito, os que mais choram, quem desmaia mais, a quantidade e qualidade do pitéu e bebida etc. quem não consegue um óbito nestes moldes é logo taxado de "JIMBA DIAFU", "DIBINZERO".
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É... meu, morrer na Nguimbe (capital) não é negócio para qualquer um!!!
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7. E não pára por aí, o que dá mais pontos é o lugar onde será o enterro. Tem que ser ALTO DAS CRUZES ou SANTA ANA porque o resto é mesmo resto. O óbito pode ter tudo, mas se o funeral não for nestes lugares perde todos os pontos. Diante disso, começa um novo dilema já que conseguir espaço nestes cemitérios não é coisa fácil e carece de "cunha forte", mas também, 14 ou kamama não são cemitério para Vip´s, tipo, não vão ser comidos também pelos sálálés. Então o defunto chega mesmo a ficar uma semana ou mais a espera que se decida sobre seu próximo endereço.
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8. Mas nem tudo mudou, ainda se vê aquelas kotas que sempre exageram na hora de exprimir sua tristeza. Aquela kotas que vão chorar no Kinaxixi, quando o óbito é no Marçal, para depois reclamar dos rins. Ainda é a oportunidade ímpar para ver todos os parentes, onde os que menos choram são as vítimas quando se procura o culpado pela morte: "EIE U MULOGI". Ele é o feiticeiro, vês que nem chora, eu já sabia. Os vizinhos da rua toda continuam com aquele mau e velho hábito de faltar ao serviço durante um mês sob pretexto de óbito na casa do vizinho que em vida nem sequer os cumprimentava.
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Isto é caso para perguntar: AONDE ESTAMOS E PRA ONDE VAMOS? SABES??????
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Por:
Porto!! Sentido!!



Cobra??? Quais cobra???
Diz assim:
"Naquele dia saí como habitualmente de espingarda ao ombro e como só a Maria lavadeira estivesse visível, ...avisei: Maria!...Vou caçar! ...
...E foi neste cuidado de avançar que, em dada altura me apercebi do meu pé descendo sobre uma enorme cobra que, enrolada se aquecia ao sol...
Foi o diabo!...
Eu tentava fugir da cobra iniciando uma nova disciplina que poderia ser apelidada de ...'natação no capim', enquanto a bicha por sua vez, só pensava em escapulir-se a 'sete pés', assobiando pragas à natureza que não a havia contemplado com nenhum.
...Arreliado e ainda tremendo interrompi aí a caçada e pouco depois estava de novo na cerca do quintal, onde a Maria lavadeira, admirada da minha rapidez no regresso e ainda com a agravante de não vislumbrar qualquer peça de caça, me interpelou:
- Então minino...desconseguiste caçar?
Rapidamente contei o que se tinha passado com a cobra enquanto despia e lhe estendia a camisa, anunciando ir tomar banho.
Ainda a ouvi resmungar:
- Cobra???? Quais cobra??? Foste mas foi nas minina da sanzala... Vos conheço!
E lembrando-se ainda da caça que não veio, lamentava-se:
- Aka!... E agora como que vou mesmo comer o meu funge?"
Acho esta passagem do livro "uma delícia". Um relembrar um passado que poderá ser comum a muitos de nós.
Por isso,e pressupondo ter a anuência do autor, aqui fica este breve texto que, quem sabe, poderá lembrar aos colegas que também têm histórias para contar.
Um abraço ao Joaquim Serra.
terça-feira, 5 de dezembro de 2006
Para as raparigas e rapazes do meu tempo...
Uma musiquinha com um "toque" africano !
Vamos aguardar ....
Abraço
BL
segunda-feira, 4 de dezembro de 2006
Quais os objectivos deste blog?
Disse-nos a Amiga Severa, num dos seus mais recentes comentários: "obedeci a certas "regras" para " tentar "respeitar" sempre aquele que me pareceu ser o objectivo deste Blog."
Naturalmente que este blog tem objectivos. E o Borges Lopes (seu criador) melhor quer ninguém saberá explicar quais os motivos que o levaram a esta iniciativa e com que objectivos.
Em minha opinião, o grande objectivo deste blog será a reaproximação de colegas, ex-trabalhadores do BCA, para que em conjunto, o mais alargado possível, continuemos a cultivar a amizade que, durante muitos anos (e uns mais outros menos) de uma vivência profissional comum, soubemos e fomos capazes de criar.
Na verdade, de uma forma ou de outra, cada um de nós tem mantido contactos de proximidade com outros ex-colegas; e muitos acabaram por ser integrados nos mesmos bancos, continuando a trabalhar lado a lado.
Mas também há um grande grupo que se encontra disperso e de quem há muito não se terão notícias. Ora, a internet permite hoje uma fácil aproximação entre os cidadãos qualquer que seja o local onde se encontrem. E a blogosfera introduziu, neste domínio, uma verdadeira revolução (Borges Lopes, se estiver a dizer asneiras, p.f. corrige-me).
E como se faz a nossa reaproximação?
Em primeiro lugar por iniciativa do Borges Lopes na colocação de "posts" (texto, imagens, som, etc.) no blog. Depois, pelos comentários que cada um tenha por bem fazer a esses "posts" podendo introduzir novas notícias e esclarecimentos.
Em segundo lugar, pela iniciativa de cada um dos designados colaboradores (contributors) a quem o Borges Lopes (por manifestação de interesse do próprio) atribui possibilidades de publicação de "posts" (de que este texto é exemplo) a propósito dos quais todos podem fazer os comentários (livres) que entenderem oportunos.
Segue-se naturalmente a colaboração de todos os "comentadores" que tem sido brilhante.
Depois colocar-se-á a questão de sabermos se aqui deverão, ou poderão ter lugar notícias do foro pessoal, quer sob a forma de publicação de fotografias (acompanhadas de comentários) quer sob a forma literária.
Ora, isso vem acontecendo, e não sei se é a estas "publicações" que a Severa pretende referir-se. Ela, certamente o dirá e apelo a que o faça para dissiparmos quaisquer dúvidas.
Na verdade, a mim próprio tenho colocado a pergunta se posso (devo?) ou não publicar determinadas fotos retiradas do "baú", onde as guardo como recordações. E mais me interrogo quando de algumas delas constam colegas infelizmente já falecidos.
Mas, na verdade, qualquer de nós o faz, como se tem verificado, ou para relembar momentos de convívio ou para melhor situarmos colegas que só alguns têm bem presentes e que outros gostarão de rever (pelas fotos). E quanto a colegas falecidos, assumo que essa é para mim uma forma de respeito à sua memória e de solidariedade para com as suas famílias.
E daí, parecer-me que não vem mal ao Mundo. Obviamente, qualquer colega pode sempre vir dizer: eu não quero que publiquem esta ou aquela fotografia (até agora não vi nada que o justificasse!...) e naturalmente a situação será remediada.
Acresce que também por vezes publicamos uma ou outra legenda (até como expressão de amizade e um pouco como brincadeira) a acompanhar as fotos. Também aqui não vejo que possa ter havido desvios que possam ser objecto de reparo e não me parece que sejam incompatíveis com os objectivos deste blog.
Naturalmente que pode haver casos em que qualquer de nós possa fazer uma leitura diferente (e cada um terá sempre um olhar próprio sobre as matérias) de determinado acontecimento ou imagem.
Recordo a propósito um comentário (sincero) da Severa relativo a tristes acontecimentos ocorridos em Angola. Estou infelizmente ligado a um deles e não gostei de ler parte do comentário da Severa, designadamente quando disse que: "...sei que se tivesse havido um comportamento diferente nada teria acontecido. Mais cedo ou mais tarde acabamos por sofrer as consequências das nossas atitudes."
Digamos que se pode interpretar esta afirmação como podendo ser um "desculpar o criminoso"...qualquer que ele possa ter sido.
E devo esclarecer (o que não o fiz na altura por me pacerecer que não valia a pena) que não deixei de gostar de Angola e dos Angolanos e quando lá voltei em 2oo1 fi-lo com enorme alegria e mais ainda, tive pena de não poder ficar de novo...apesar de tudo estar tão diferente!
Penso mesmo que a Severa teve aqui um momento menos feliz da sua participação neste blog.
Posto isto, e como escrevi num "post" anterior, acho que neste espaço de "convívio e debate" podem ter lugar " coisas que nem sequer, em minha opinião, têm que ser só relacionadas com a nossa passagem pelo ex-BCA. Podem ter lugar neste espaço debates sobre os problemas que hoje nos preocupam (e são tantos); lugar para textos literários sejam em prosa ou em poesia; lugar para textos de opinião sobre matérias diversas, etc., etc..".
E acho que pode ter lugar a partilha de muitas coisas das nossa vidas com os nosso amigos.
CASAMENTO DA PAULINA

PARA O tEIXEIRINHA E A ANA RECORDAREM,
A Paulna e o César ( que esava um pouco escondido no dia da Greve), acompanhados por mim, m/marido e pelo m/filho.
Esta foto foi-me cedida pela Paulina, a quem peço desculpa de a colocar no Blog, mas achei que assim todos podíamos recordar o César.
Um abraço para todos.
domingo, 3 de dezembro de 2006
O nosso blog caminha para o seu terceiro mês …

Uma das grandes vantagens da internet é ser um espaço de liberdade. Este blog é livre, feito por gente de mente livre, onde não há patrões nem donos! Como já foi afirmado várias vezes, é de Todos os Ex-Colaboradores do Grupo BCA.
Para ser um novo “contributor”, basta manifestar esse desejo.
As únicas regras para a sua existência são as do respeito entre os intervenientes. As pessoas são diferentes, pensam e agem de modo diferente, daí o haver diversidade de opiniões. É bom que assim seja.
Os temas podem versar sobre todos os assuntos: “os bons velhos tempos”, os últimos trinta anos, o presente e o futuro, etc. Cada um com a sua maneira de escrever, os seus temas preferidos, manifestará, se assim o entender, aquilo que lhe vai na alma. Uns ligam mais a umas coisas, outros ligam mais a outras. Ainda bem! Assim não há monotonia e todo a gente contribui. Não se esqueçam de também publicar fotografias. Por vezes, uma só imagem “mata mais saudades” do que muitas palavras.
Este “post” é uma mera uma opinião pessoal. Venham os comentários e com eles as críticas e sugestões.
Agora, vamos escrever e comentar em força! Vamos dinamizar o blog! Avancem!
Nota importante:
Para não haver equívocos, e parece que já os houve, tentem não fazer os comentários fora dos locais das notícias originais, ou então, se o fizerem, no início do comentário indiquem o nome da pessoa a quem se destina.
Abraço a Todos e bom Domingo
BL
sábado, 2 de dezembro de 2006
PARTICIPAR (actualização)
Hoje, dia 2 de Dezembro…
Duas filhas angolanas que tanto orgulho têm de o ser.
A “Guida” como nós lhe chamamos, já me deu dois lindos netos. Para os avós, os netos são sempre lindos…
Agora, vem a “história”:
Alguns Colegas e outras pessoas minhas amigas, por vezes, diziam: isso é que foi certeiro: dois rapazes e duas raparigas… dois casais, que “sorte”(?!) Eu, então, modestamente, “justificava-me”: Foram “programados” com a ajuda de dois computadores diferentes, o primeiro um IBM-1401, o segundo, um IBM-360/25… Não fosse eu informático… Por vezes, ficava com a sensação que alguns acreditavam (?!)
Na foto, à esquerda está a “Guida” com dois anos e meio, envergando um vestido do folclore da Baviera, e à direita este vosso amigo “agarrado” a um IBM 360/25, no Centro do Processamento de Dados do nosso BCA.
Abraços a Todos, especialmente àqueles que tiveram a paciência de ler este “post”.
BL
Como é que se chama agora a rua onde eu morava...?
Afastei-me um bocado, porque resolvi abster-me de fazer comentários. Não quero ser mal interpretada.
No entanto, gosto imenso de escrever. E vou continuar a fazê-lo.
O meu percurso, bastante nómada, não permite que tenha falta de temas e a “fraqueza” de espírito também não é o meu género...
Por isso, sem ser saudosista, aqui virei, sempre que tiver algum novo contacto dos ex-Bca ou para falar de Luanda.
Falemos, pois, de coisas leves...
Já vos passou alguma vez pela cabeça que tudo o que conhecíamos e que diz respeito à toponímia da cidade de Luanda, foi alterado depois da independência ?
Se um dia lá formos, não vamos reconhecer os nomes das ruas que pisávamos todos os dias, para trabalhar, passear ou namorar...
Dediquei-me a fazer uma pesquisa, ainda bastante incompleta e que vai dar algum trabalho. Espero que constitua um desafio para toda a gente que visitar este Blog.
Tentem fazer corresponder as novas designações das ruas aos nomes que nós conhecíamos. Acrescentem sempre o que forem descobrindo!
Av. dos Combatentes /Av. Comandante Valódia
Av. Álvaro Ferreira / Rua do 1º Congresso
Av. António Barroso / Rua Amílcar Cabral
Av. dos Restauradores / Rua Raínha Ginga
Rua 28 de Maio /Rua Karipande (Renato Santos)
“CLUBE DOS EMPRESÁRIOS” – restaurante panorâmico, com vista sobre a Baía de Luanda, no 20ª andar do edifício Ex-BCA.
sexta-feira, 1 de dezembro de 2006
Bom Fim-de-Semana...
Já tenho a câmara preparada para que, dos nossos próximos encontros, sejam aqui apresentados alguns vídeos com as intervenções de TODOS os Ex-BCA's.
Vamos em frente!
Abraço a Todos !
BL





















