O Felizardo Loureiro, operador de computadores do centro de informática do BCA, tinha um tio, proprietário de uma traineira de pesca, que operava a partir do porto de Luanda.
Depois de várias conversas sobre pesca e pescadores, desde o comprimento dos peixes, até à quantidade dos mesmos (a maioria dos “pescadores” prima pela sobrevalorização destes dados), surgiu a oportunidade de dar satisfação à nossa curiosidade.
Combinámos, então, uma pescaria, entre os informáticos do BCA, com a necessária disponibilidade do tio do Felizardo, para nos proporcionar esta aventura.
Na data aprazada, um sábado de manhã, partimos do porto de Luanda, para o alto mar, a uma distância de cerca de trinta quilómetros da costa.
Cada um tinha a sua missão distribuída. A maior parte do grupo estava destinada à pesca propriamente dita, e eu tinha como missão especial tratar do almoço.
Desbobinaram os “aparelhos” lançando-os ao mar. Era assim que chamavam às linhas com os anzóis e os respectivos iscos. Convém que tratemos aqui as coisas pelos respectivos nomes, inclusivamente porque nos dá um certo ar “de entendidos” nestas artes da pesca.
Depois de feita a manobra necessária, e efectuarmos uma pausa, ficámos a aguardar que, ao longo do dia, o peixe picasse o isco, para finalmente se proceder à respectiva recolha.
O barco embalava-se docemente sobre as águas, em movimento pendular, ao sabor da fraca ondulação daquele dia.
Estava tudo a correr bem, quando, inusitadamente, se dá uma “baixa” na tripulação. Quem ? Precisamente eu! Habituado a ter os pés assentes na terra, fiquei horrorosamente enjoado:. tonturas, palidez, náuseas e, finalmente, vómitos. Enjoo era palavra que não constava no meu dicionário. Ainda me falaram nisso, mas qual quê… Enjoos, só para os fracos. As minhas únicas viagens de barco, tinham sido as travessias do Tejo, entre Lisboa e Cacilhas, onde nunca me tinha dado mal, mas aquele baloiçar lânguido no Atlântico, ao início muito agradável, deixou-me completamente de rastos.
No desespero, comecei a comer as laranjas, que estavam destinadas à nossa sobremesa! Comi-as todas e deitei-me longitudinalmente no chão do barco, a ver se a crise passava… Mas qual quê, cada vez se agravava mais! Tive que me aguentar; enquanto a pescaria continuava de vento em popa.
Para mim, foi um dia para esquecer pela má disposição, mas enriquecedor em termos de convívio e de recolha de conhecimentos sobre a vida no mar. Fiquei a saber, por exemplo, que o tubarão é um peixe oportunista, porque como tive ocasião de observar, os tubarões atacavam os peixes, para os comer, precisamente no momento em que estes eram içados para a traineira.
Os meus colegas da aventura, nada comeram da tal refeição que eu iria confeccionar, e nem sequer a uma laranja tiveram direito, no entanto, perdoaram-me, com o compromisso de na próxima vez não me propor para a importante missão de cozinheiro, e de trazer na bagagem alguns comprimidos de Vomidrine.
No dia seguinte, com algum do peixe apanhado, foram todos convidados a comer, em minha casa, uma caldeirada “à maneira”. Estava tão saborosa que não acreditavam ter sido feita por mim, mas foi! Foi a recompensa pela minha falha do dia anterior.
Depois de várias conversas sobre pesca e pescadores, desde o comprimento dos peixes, até à quantidade dos mesmos (a maioria dos “pescadores” prima pela sobrevalorização destes dados), surgiu a oportunidade de dar satisfação à nossa curiosidade.
Combinámos, então, uma pescaria, entre os informáticos do BCA, com a necessária disponibilidade do tio do Felizardo, para nos proporcionar esta aventura.
Na data aprazada, um sábado de manhã, partimos do porto de Luanda, para o alto mar, a uma distância de cerca de trinta quilómetros da costa.
Cada um tinha a sua missão distribuída. A maior parte do grupo estava destinada à pesca propriamente dita, e eu tinha como missão especial tratar do almoço.
Desbobinaram os “aparelhos” lançando-os ao mar. Era assim que chamavam às linhas com os anzóis e os respectivos iscos. Convém que tratemos aqui as coisas pelos respectivos nomes, inclusivamente porque nos dá um certo ar “de entendidos” nestas artes da pesca.
Depois de feita a manobra necessária, e efectuarmos uma pausa, ficámos a aguardar que, ao longo do dia, o peixe picasse o isco, para finalmente se proceder à respectiva recolha.
O barco embalava-se docemente sobre as águas, em movimento pendular, ao sabor da fraca ondulação daquele dia.
Estava tudo a correr bem, quando, inusitadamente, se dá uma “baixa” na tripulação. Quem ? Precisamente eu! Habituado a ter os pés assentes na terra, fiquei horrorosamente enjoado:. tonturas, palidez, náuseas e, finalmente, vómitos. Enjoo era palavra que não constava no meu dicionário. Ainda me falaram nisso, mas qual quê… Enjoos, só para os fracos. As minhas únicas viagens de barco, tinham sido as travessias do Tejo, entre Lisboa e Cacilhas, onde nunca me tinha dado mal, mas aquele baloiçar lânguido no Atlântico, ao início muito agradável, deixou-me completamente de rastos.
No desespero, comecei a comer as laranjas, que estavam destinadas à nossa sobremesa! Comi-as todas e deitei-me longitudinalmente no chão do barco, a ver se a crise passava… Mas qual quê, cada vez se agravava mais! Tive que me aguentar; enquanto a pescaria continuava de vento em popa.
Para mim, foi um dia para esquecer pela má disposição, mas enriquecedor em termos de convívio e de recolha de conhecimentos sobre a vida no mar. Fiquei a saber, por exemplo, que o tubarão é um peixe oportunista, porque como tive ocasião de observar, os tubarões atacavam os peixes, para os comer, precisamente no momento em que estes eram içados para a traineira.
Os meus colegas da aventura, nada comeram da tal refeição que eu iria confeccionar, e nem sequer a uma laranja tiveram direito, no entanto, perdoaram-me, com o compromisso de na próxima vez não me propor para a importante missão de cozinheiro, e de trazer na bagagem alguns comprimidos de Vomidrine.
No dia seguinte, com algum do peixe apanhado, foram todos convidados a comer, em minha casa, uma caldeirada “à maneira”. Estava tão saborosa que não acreditavam ter sido feita por mim, mas foi! Foi a recompensa pela minha falha do dia anterior.
Pescaria no atlântico em 1974 -
Nota – As imagens do vídeo, além de serem poucas, têm muita pouca qualidade. Foram captadas de um filme “super8” que tem mais de 30 anos. Das pessoas que participaram nesta “aventura”, lembro-me do Veiga e do Felizardo visíveis nas imagens. Parece-me que está também o Agostinho, nosso colega, e o tio do Felizardo; das outras pessoas não me lembro. Obviamente que também lá estava eu, que apesar de enjoado, ainda consegui filmar estas poucas imagens, que serviram de tema a esta pequena história.


































