Abro esta “Caixa de Diálogo”, em formato digital, usando livremente o espaço do nosso blogue (definitivamente, passo a aportuguesar a palavra).
“Caixa de diálogo” passará a ser o designativo das minhas intervenções escritas mais reflexivas, ao sabor da inspiração, da convicção e da oportunidade. Sem outra preocupação senão a de fazer pontes entre o passado e o presente, alinhando factos, pessoas e valores que possam, a um tempo, reavivar a nossa juventude física e projectar no futuro conceitos e modos de estar distintos.
“Caixa de diálogo” passará a ser o designativo das minhas intervenções escritas mais reflexivas, ao sabor da inspiração, da convicção e da oportunidade. Sem outra preocupação senão a de fazer pontes entre o passado e o presente, alinhando factos, pessoas e valores que possam, a um tempo, reavivar a nossa juventude física e projectar no futuro conceitos e modos de estar distintos.
Hoje, apetece-me (insolente este termo…não vos parece? Pois é a palavra que, em liberdade de expressão, traduz o cerimonioso “permitam-me”) rebuscar no escaninho da memória algo que serviu de suporte permanente a uma postura empresarial, plena de identidade própria: a cultura BCA.
Foi esta cultura um verdadeiro axioma de vida de toda a actuação do BCA, desde a sua fundação (em 1958) e que teve, como pilar genético, o Banco Português do Atlântico, verdadeiro alfobre de gerações de bancários, dos quais alguns – muito poucos – foram destacados para Angola, munidos das suas convicções e padrões de comportamento.
E se um “chefe” é – no dizer do escritor Paul Valery – uma pessoa que precisa dos outros” , foram aqueles pioneiros capazes de se rodearem de Colaboradores que rapidamente souberam, já numa dimensão colectiva, intuir um conjunto de regras de funcionamento, de sinais e de símbolos, basilares na sustentação da imagem institucional, até 1975.
Assim nos identificámos naturalmente, uns com os outros e todos com o Banco, porque a cultura nasce do interior das Pessoas – dos chefes aos colaboradores.
Recorde-se a visão do Dr. Manoel Vinhas, principal mentor da obra que o Edifício-Sede representou dez anos mais tarde, ainda hoje verdadeiro ex-libris da cidade de Luanda. Depois, o dinamismo, o envolvimento e a criatividade das Pessoas que foram ocupando sete dos 20 andares que o Edifício comportava. Pessoas que não desdenhavam – antes, promoviam - a osmose do conhecimento, fazendo dos mais novos profissionais assumidos, com competências adquiridas no plasma da actividade diária. Em Luanda e por todo o país, já que o influxo da Cultura BCA não tinha limitações geográficas.
Primeiro banco privado a estabelecer-se em Angola, foi o BCA dinâmico fautor do desenvolvimento económico regional, criador de riqueza e mobilizador de vontades. Podemos, assim, orgulhar-nos da obra feita, que outros quase desfizeram, sem receio das vozes necrófagas de hoje, porque aquela foi transversal a décadas de progresso e deixou marcas na terra vermelha e nos espaços imensos do nosso labor tropical.
Alargámos a nossa presença a Moçambique, a S. Tomé, a Macau e os projectos já iam a caminho de Cabo Verde…A expansão era um produto da cultura BCA, qual mística que, por ser património imaterial, dispensava passaporte.
E foi no âmbito dessa cultura que a integração sócio-profissional ganhou estatuto gradualmente, a par de uma torrente de iniciativas sociais e desportivas, todas elas entusiasmantes, porque emergentes dos valores adquiridos. Os mais jovens e os mais aplicados acabaram por fazer a sua carreira na área comercial ou administrativa, conhecendo previamente todas as secções/serviços do Banco, com uma assistência profissional e social que não tinha paralelo noutras Organizações.
Quantos serviços e produtos lançados no mercado, fazendo crescer o Banco e, com ele, as nossas Terras de adopção! É bom saber que, em 1973, o BCA detinha 45% do crédito total outorgado em Angola. Está escrito.
Chamo, assim, à colação esta singularidade marcante da cultura BCA por uma razão última: o arco da vida não se fechou em 1975, pois foram esses princípios e esses valores que, já em Portugal, nos permitiram refazer a vida, educar os Filhos, abraçar novos projectos. Jamais desistir.
É interessante verificar que, numa avaliação recente feita por um conceituado consultor internacional, os valores culturais que perfilhámos há mais de 30 anos – envolvimento, qualidade, empenho nas causas e orgulho pela Instituição – persistem como referenciais primeiros e importantes factores do progresso económico e do desenvolvimento social.
Falemos agora do presente.
Reconheça-se que tais valores estão hoje em contra-ciclo com os arautos da chamada “globalização” e dos modelos importados, vg. a “flexigurança” que, a serem aplicados no País, conduzirão Portugal para o “núcleo dos países ricos…com gente mais pobre”, na lúcida opinião de um Prémio Nobel da Economia, que recentemente ouvi em Lisboa.
Chegado aqui, remeto-vos para um excerto de um prefácio que escrevi recentemente para um livro s/ Comunicação, editado por um jovem ex-Colaborador: “…a declinação do verbo flexibilizar parece ser uma ladainha colectiva e o pau-santo da virilidade económica das empresas. Esquecendo as Pessoas por onde tudo passa, seja a criatividade, a compreensão dos acontecimentos ou a capacidade de adaptação a novas situações”. E concluía com um grito de alerta: Tudo se faz, senhores pregoeiros da globalização, com as Pessoas !
Deixo aberta a “Caixa de diálogo” aos vossos comentários.
Por mim, continuo a “pensar o futuro”. Aos 67 anos. Sobrepondo a racionalidade dos juízos realistas à euforia irresponsável das pessoas gratuitas ou precipitadas, à embriaguez das grandes e sediças palavras vazias, ao sortilégio demagógico das atitudes ditadas por uma qualquer máquina de marketing, irritadiça à mínima contrariedade.
Julgo ter falado do passado, do presente e do futuro. De nós e do País.
Luís Teixeira da Mota
Foi esta cultura um verdadeiro axioma de vida de toda a actuação do BCA, desde a sua fundação (em 1958) e que teve, como pilar genético, o Banco Português do Atlântico, verdadeiro alfobre de gerações de bancários, dos quais alguns – muito poucos – foram destacados para Angola, munidos das suas convicções e padrões de comportamento.
E se um “chefe” é – no dizer do escritor Paul Valery – uma pessoa que precisa dos outros” , foram aqueles pioneiros capazes de se rodearem de Colaboradores que rapidamente souberam, já numa dimensão colectiva, intuir um conjunto de regras de funcionamento, de sinais e de símbolos, basilares na sustentação da imagem institucional, até 1975.
Assim nos identificámos naturalmente, uns com os outros e todos com o Banco, porque a cultura nasce do interior das Pessoas – dos chefes aos colaboradores.
Recorde-se a visão do Dr. Manoel Vinhas, principal mentor da obra que o Edifício-Sede representou dez anos mais tarde, ainda hoje verdadeiro ex-libris da cidade de Luanda. Depois, o dinamismo, o envolvimento e a criatividade das Pessoas que foram ocupando sete dos 20 andares que o Edifício comportava. Pessoas que não desdenhavam – antes, promoviam - a osmose do conhecimento, fazendo dos mais novos profissionais assumidos, com competências adquiridas no plasma da actividade diária. Em Luanda e por todo o país, já que o influxo da Cultura BCA não tinha limitações geográficas.
Primeiro banco privado a estabelecer-se em Angola, foi o BCA dinâmico fautor do desenvolvimento económico regional, criador de riqueza e mobilizador de vontades. Podemos, assim, orgulhar-nos da obra feita, que outros quase desfizeram, sem receio das vozes necrófagas de hoje, porque aquela foi transversal a décadas de progresso e deixou marcas na terra vermelha e nos espaços imensos do nosso labor tropical.
Alargámos a nossa presença a Moçambique, a S. Tomé, a Macau e os projectos já iam a caminho de Cabo Verde…A expansão era um produto da cultura BCA, qual mística que, por ser património imaterial, dispensava passaporte.
E foi no âmbito dessa cultura que a integração sócio-profissional ganhou estatuto gradualmente, a par de uma torrente de iniciativas sociais e desportivas, todas elas entusiasmantes, porque emergentes dos valores adquiridos. Os mais jovens e os mais aplicados acabaram por fazer a sua carreira na área comercial ou administrativa, conhecendo previamente todas as secções/serviços do Banco, com uma assistência profissional e social que não tinha paralelo noutras Organizações.
Quantos serviços e produtos lançados no mercado, fazendo crescer o Banco e, com ele, as nossas Terras de adopção! É bom saber que, em 1973, o BCA detinha 45% do crédito total outorgado em Angola. Está escrito.
Chamo, assim, à colação esta singularidade marcante da cultura BCA por uma razão última: o arco da vida não se fechou em 1975, pois foram esses princípios e esses valores que, já em Portugal, nos permitiram refazer a vida, educar os Filhos, abraçar novos projectos. Jamais desistir.
É interessante verificar que, numa avaliação recente feita por um conceituado consultor internacional, os valores culturais que perfilhámos há mais de 30 anos – envolvimento, qualidade, empenho nas causas e orgulho pela Instituição – persistem como referenciais primeiros e importantes factores do progresso económico e do desenvolvimento social.
Falemos agora do presente.
Reconheça-se que tais valores estão hoje em contra-ciclo com os arautos da chamada “globalização” e dos modelos importados, vg. a “flexigurança” que, a serem aplicados no País, conduzirão Portugal para o “núcleo dos países ricos…com gente mais pobre”, na lúcida opinião de um Prémio Nobel da Economia, que recentemente ouvi em Lisboa.
Chegado aqui, remeto-vos para um excerto de um prefácio que escrevi recentemente para um livro s/ Comunicação, editado por um jovem ex-Colaborador: “…a declinação do verbo flexibilizar parece ser uma ladainha colectiva e o pau-santo da virilidade económica das empresas. Esquecendo as Pessoas por onde tudo passa, seja a criatividade, a compreensão dos acontecimentos ou a capacidade de adaptação a novas situações”. E concluía com um grito de alerta: Tudo se faz, senhores pregoeiros da globalização, com as Pessoas !
Deixo aberta a “Caixa de diálogo” aos vossos comentários.
Por mim, continuo a “pensar o futuro”. Aos 67 anos. Sobrepondo a racionalidade dos juízos realistas à euforia irresponsável das pessoas gratuitas ou precipitadas, à embriaguez das grandes e sediças palavras vazias, ao sortilégio demagógico das atitudes ditadas por uma qualquer máquina de marketing, irritadiça à mínima contrariedade.
Julgo ter falado do passado, do presente e do futuro. De nós e do País.
Luís Teixeira da Mota
Meu Caro Luís Teixeira da Mota,
ResponderEliminarEscrevi ontem, como se pode verificar: "Venha de lá esse 2º texto que, antecipo, será como o primeiro, um excelente momento de leitura para todos."
E não sou bruxo nem adivinho. Eu sabia que da "pena" do meu amigo só podia sair "coisa brilhante".
Excepcional texto, pleno de oportunidade, num tempo em que a "relações no seio das empresas" parecem ser o que menos conta.
Um abraço
LUIS
ResponderEliminarRODRIGUES
Drº Teixeira da MOTA
Se calhar não compredi o seu artigo a cem por cento mas a minha vicencia mo nosso Banco e ter tido um Chefe como o GALÁS´fez que eu ainda hoje pratique a cultura BCA
BEM AJAM
VOU APARECEMDO